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6 de jun. de 2010

Direto da Telinha: A importância de programas como o "Conexão Repórter"

por André Luiz Batista


O SBT estreou há pouco mais de 4 meses o "Conexão Repórter" em sua grade de programação. O jornalístico tem o comando de Roberto Cabrini, que até então estava a frente do "Repórter Record", programa de formato similar e que poucas semanas após sua estreia havia se tornado a maior audiência da casa.

Apesar de estar ingressando em uma nova emissora, Roberto Cabrini trouxe exatamente o mesmo formato que havia consagrado na concorrente: o de grandes reportagens investigativas. O desafio era ainda maior, pois, diferente da Record e da Band, a rede de Silvio Santos não tinha o hábito de destinar grande espaço à produtos jornalísticos que fugissem os factuais noticiários exibidos na manhã e na noite.

Mesmo com o pequeno número de edições veiculadas, o "Conexão Repórter" já conseguiu inúmeras vitórias, que vão muito além de pontos de audiência. Reportagens como "Pedofilia: Sexo, Intrigas e Poder" e "Pedofilia: Sexo, Intrigas e Poder - Parte 2", transmitidas nos dias 11 de março e 08 de abril respectivamente, além de seus desdobramentos, chocaram a sociedade, bem como as autoridades e a Igreja Católica, principal alvo das investigações das matérias.

Caso de pedofilia na Igreja Católica repercutiu no mundo todo



Nas 2 reportagens, a equipe de jornalismo do SBT ouviu alguns adolescentes que relataram ser vítimas de abusos sexuais praticados por padres. Em Arapiraca, local das investigações, foi produzido um vídeo que chegou à produção do jornalístico contendo cenas fortes de relação sexual entre um padre e um de seus coroinhas. A exibição do material em rede nacional gerou imensa repercussão na cidade, no Brasil e no mundo.

Com as 2 reportagens que abordaram a pedofilia na Igreja Católica, o "Conexão Repórter" serviu de elo entre alguns adolescentes, cujas vozes eram, até então, inaudíveis, e as autoridades, que aceitaram a indignação da sociedade e cumpriram a lei. Em alguns dias, a imprensa de todo país focava a atenção no destino dos padres pedófilos.

Semanas depois, os religiosos já estavam perante àqueles que lhe viam como símbolo de integridade e moralidade, porém, com parlamentares da CPI da pedofilia ao lado. Mesmo com a tentativa inicial - e felizmente, frustrada - de intimidar as vítimas, os falsos religiosos foram para a cadeia.

Houve, diferente do que muitos acreditavam, uma punição e foi mostrado, em todos os meios de comunicação, que os tempos da Idade Média cessaram e que a cobertura de atos escandalosos como esses arquitetados por religiosos, cujo caráter e índole eram tratados como dogmas, acabou.

11 de nov. de 2009

Direto da Telinha: A evolução de "Malhação" e o perigo da volta ao passado

por João Gabriel Batista

O telespectador acompanhou no final da tarde da última sexta-feira (06/11) mais um desfecho de "Malhação". Realmente, não é nenhuma novidade que mereça capas de revistas e nenhum tipo de badalação, afinal a novela já acumula 16 temporadas. Entretanto merece ser levada em conta a brilhante autoria de Patrícia Moretzsohn, que ficou a frente do roteiro por dois anos, e de seus colaboradores. Foram mais de 530 capítulos consecutivos, afinal a autora emendou duas fases de uma só vez.

O fato de encarar 2 temporadas de uma vez só aparentemente não mereceria tanta atenção, afinal a mesma autora já havia feito parte do time de autores de "Malhação" por sete temporadas consecutivas. Porém, diferente dos anos 90, dessa vez Patrícia Moretzsohn foi chamada em 2007 para levantar os índices da novela, que estava em queda livre desde o sucesso da fase 2004.

15 de outubro de 2007 e começa a 15ª temporada de "Malhação". Patrícia Moretzsohn estava de volta ao lado de Jacqueline Vargas. Uma fase que, no decorrer de seus mais de 300 capítulos, passou por inúmeras reviravoltas até se encontrar. A Globo apostou em cenas externas em um luxuoso Hotel em Angra dos Reis para o início da nova história. Já a dupla de autoras criou um incêndio misterioso e um tom mais infantil para dar início ao desenrolar do folhetim.

As semanas se passaram e a audiência de "Malhação" caiu mais ainda. Em alguns capítulos chegou a marcar pífios 14 pontos, motivo para acionar o sinal vermelho na Globo. O motivo para tamanho desinteresse do telespectador estava claro. "Malhação" mais parecia uma versão brasileira de "High School Musical". Algumas cenas, cantorias, danças, tudo muito parecido, o que afastou os adolescentes e não trouxe as crianças de volta às telinhas.

Os capítulos se passaram e então as autoras perceberam que o público não queria uma trama dotada de dramas empresariais como a de 2007 mas que também não estava pronto para aceitar uma história pouco mais adulta que a das "Chiquititas". Então Patrícia e Jacqueline apostaram no tema da gravidez, já discutido a exaustão na própria trama, mas com muito mais profundidade dessa vez. Em algumas novelas, quando se tratava de gravidez na adolescência, sempre os personagens "perdiam" o bebê e no decorrer dos 9 meses e "ficava a lição no ar". A gravidez de Angelina, personagem de Sophie Charlotte, se desenvolveu. A jovem mudou de comportamento, nada mais natural. O bebê nasceu, o instinto materno aflorou e as disputas com a vilã Débora, de Natália Dill, continuaram. O telespectador então voltou para acompanhar a novela.

Embora o núcleo principal tivesse uma dramática muito forte, Patrícia e Jacqueline também sabiam fazer humor. A trama ficou séria e ao mesmo tempo cômica, com a personagem de Mariana Rios, a cantora Yasmin Fontes. Coincidentemente as histórias infantis e o núcleo das crianças perdeu mais força ainda. A receita do sucesso havia sido encontrada.

Em 2009 Jacqueline Vargas deixou a Globo e Patrícia Moretzohn passou a comandar o roteiro de forma total. Vale ressaltar que houve colaboradores, entretanto a palavra final era dela e apenas dela. Nessa fase houve novos investimentos pela Globo, que criou um fictício shopping center e apostou em belos cenários como a praia de Canoa Quebrada para dar início a mais uma temporada. Patrícia Moretzsohn incluiu uma nova banda musical, de forma mais séria - e menos infantil que a proposta em 2008 - chamada Quadribanda. Além disso, foram inclusos mistérios e tramas interessantes que não fizeram com que o simples cotidiano dos adolescentes ficasse de fora. Tudo isso sem esquecer a comédia, vital para que uma produção da área de dramaturgia sobreviva em um horário como o das 5 da tarde.

Entre os méritos de Patrícia Moretzohn, e claro, seus colaboradores, estava o de enxergar o que o público estava querendo e testar novidades. O mocinho da trama que seria Luciano, vivido por Micael Borges, perdeu espaço no decorrer do folhetim. A vilã, que nunca teria o mocinho ao seu lado, teve. E tudo aconteceu de forma natural, os dois romances aconteceram, tiveram seu ápice e terminaram. Não houve juras de amor eterno - que sabemos que na adolescência não ocorre na prática.

Paralelo a isso, a protagonista Marina, papel de Bianca Bin, começava a se envolver com o vilão. Mas espere, nas últimas temporadas o vilão sequer chegava perto da mocinha. Todas suas tentativas e armações eram frustradas. O que houve? Patrícia Moretzsohn e sua equipe fizeram com que o vilão Caio, de Humberto Carrão, mudasse de comportamento. O personagem deixou de ser arrogante e mesquinho e pouco a pouco se tornou uma pessoa "do bem". O que nas temporadas anteriores levava 2 temporadas (ou 2 anos) para acontecer, aconteceu em menos de 10 meses. No final? Luciano, até então escalado para ser o principal personagem de "Malhação", deixa a história por aproximadamente um mês. Caio toma o seu lugar e engrena o romance com Marina. No último capítulo, como poucos esperavam quando acompanharam a estreia, Marina e Caio terminaram juntos.

Fazendo um balanço disso tudo podemos ver que "Malhação" evoluiu nos últimos 2 anos, deixou os didatismos e as ilusões do "felizes para sempre" de lado - ou pelo menos em segundo plano - e passou a mostrar uma realidade menos fantasiosa. Claro que na vida real o colégio que você estuda não é incendiado e seu namorado ou namorada é o/a principal suspeito ou suspeita. É surreal? É, mas no limite da dramaturgia. Tramas simples, sem grandes acontecimentos e mais factíveis não fazem sucesso, como foi o caso de "Dawson's Creek" e "Alta Estação", ambas exibidas pela Record.

Mas... Embora todo esse trabalho tenha sido bem feito, apesar dos erros do começo, há uma perspectiva de "Malhação" retornar ao passado. Nesta segunda (09/11) Ricardo Hoffsteter reassume a autoria da novela.



Christiana Peres, a protagonista de "Malhação ID"


Um rapaz irresponsável e mimado, mas de bom coração. Uma moça que quer resolver todos os problemas do mundo e que chega ao ponto de trazer um mendigo para tomar banho e se alimentar em sua casa. A filha do empregado se apaixona pelo filho do patrão.


Até agora mais parece a reedição da temporada 2004, de Leticia, Gustavo e a Vagabanda. E parece também que o surreal e a fantasia vão reassumir o papel principal em "Malhação". Será que vai ser assim mesmo? Será que o telespectador vai querer voltar a 2004?

4 de nov. de 2009

Direto da Telinha: Justus e Luciana protagonizam comédia na internet

por João Gabriel Batista

Esteve em cartaz na última semana uma agradável comédia para o público brasileiro. Uma peça incrível de uma troca de farpas entre dois apresentadores da TV. Muito engraçada. Só que nenhum deles tinha nada para se vangloriar, mas mesmo assim ficaram discutindo. Sabe, o sujo falando do mal lavado. Foi bem engraçado mesmo! Não precisava nem ser um crítico ou um assíduo espectador do teatro, daqueles que acompanhou musicais como "O Fantasma da Ópera" ou algumas peças de Shakespeare para avaliar o ocorrido na semana passada como uma excelente comédia. Ou melhor, uma "Divina Comédia" como escreveu Dante Alighieri. Essa peça teve em seu elenco apenas 2 atores: Roberto Justus e Luciana Gimenez.

Deixando as ironias de lado, vamos relembrar o que houve e constatar novamente que Justus e Gimenez se rebaixaram ao pior nível possível e se vangloriaram de méritos praticamente inexistentes, algo que o ditado popular chama grosseiramente de "o sujo falando do mal lavado".

Primeiro Luciana Gimenez (foto), aparentemente sentida pela suposta recusa de Justus em participar do "Superpop", postou em seu Twitter que tinha "acabado" com o rival na noite da última quarta-feira (28/10) quando o venceu por 5,6 pontos a 4,7.

Horas mais tarde, Justus (foto) respondeu afirmando que não considera o "Superpop" como concorrente e se vangloriou pelo fato do "1 contra 100" dar o dobro (?) do Ibope de Luciana. O empresário utilizou a média geral dos 2 programas para fazer tal comparação. Na sequência, Luciana rebateu afirmando que independente de Justus considerá-la como concorrente ou não, ele havia apanhado. Minutos depois ela acrescentou que na quarta que vem "teria mais".

Vamos começar a falar de Luciana Gimenez, que afirmou ter "acabado" com Justus. Acabado? A vitória foi de 0,9 ponto, isso é quase um empate técnico no Ibope. Em primeiro lugar, uma faixa de concorrência desse tamanho pouco influencia na média geral do programa, que pouco influenciará na média semanal e menos ainda na média mensal, utilizada pelo departamento comercial das emissoras de TV para seduzirem as agências de publicidade.

Em segundo lugar que o "Superpop" está no ar há 10 anos, sendo aproximadamente 7 sob o domínio de Gimenez, e até hoje não decolou e não mostrou a que veio. Rende uma média que oscila entre 2 e 3 pontos no Ibope, longe das concorrentes mesmo com suas pautas polêmicas e muitas vezes de gosto duvidoso. Nem mesmo o antigo e refinado programa de Hebe Camargo, voltado para as classes A e B, o "Superpop" tem conseguido vencer. Não há do que se gabar. Há o que mudar.

Já Roberto Justus também não tem motivo nenhum para cantar vitória sobre a RedeTV!. Há alguns meses ele foi tirado da Record a peso de ouro, com um salário que - embora não divulgado - é um dos mais altos da casa. Tem um programa que ostenta um dos maiores investimentos em game show até hoje já feitos. E mesmo assim não decola. Quando vai bem, empata no 3º lugar com a Band. Semana passada mesmo foi mal, só não ocupou o 5º lugar na média porque a RedeTV! havia empatado na média. Uns décimos a mais para os "debates" do "Superpop" e o milionário programa de Justus ficaria em 5º lugar. Um posto que com certeza está bem abaixo das expectativas do SBT. Eu sinceramente não esperava um Ibope tão baixo para o Justus visto que todos os holofotes da imprensa se viraram para ele em sua mudança de emissora enquanto Gugu não resolvia sua situação.

Também não esperava que ele, empresário que considero como um dos maiores do país embora tenha certas ressalvas que não vem ao caso fazer, fosse ficar batendo boca para discutir quem está "menos pior" de Ibope. Pelo investimento que teve, Justus era para, no mínimo, estar incomodando a Record. Um bate boca com algum autor ou ator de "Poder Paralelo" sobre Ibope ainda seria bem patético, mas acho que um pouco menos do que esse que presenciamos semana passada.

Agora o leitor, que analisou os fragmentos expedidos pela imprensa e que acaba de ler essa análise, deve concordar comigo que tudo isso é cômico. Uma comédia mesmo. Afinal não dá para levar a sério nenhuma das farpas trocadas por Justus e Luciana, não é mesmo? Só é possível rir diante disso tudo.

26 de out. de 2009

Direto da Telinha: "Teleton 2009" termina em alta, no seu melhor estilo

por João Gabriel Batista

E mais uma edição do "Teleton" chegou ao fim. A meta novamente foi ultrapassada e mais 1 hospital será erguido em Poços de Caldas, no interior de Minas Gerais. Esse saldo positivo felizmente não é surpresa em se tratando de "Teleton", atração com a qual o brasileiro se envolve anualmente.

O "Teleton 2009" surpreendeu o telespectador. Algumas surpresas foram positivas e outras negativas. Entretanto as baixas estiveram longe de ofuscar o brilho dessa vitoriosa campanha que une emissoras de TV, jornalistas dos mais diversos veículos, empresas - muitas delas concorrentes - e o telespectador em prol das crianças com qualquer tipo de deficiência.

No início da madrugada de sexta-feira (23/10) para sábado (24/10), Luciana Gimenez e Adriane Galisteu dividiram o palco com Hebe Camargo. Alguns telespectadores devem ter pensado: "mas a Gimenez e a Galisteu não são brigadas? Elas não disputaram por audiência em diversas ocasiões?". Surpresa? Sim. Galisteu e Gimenez enterraram publicamente fofocas que a má imprensa insiste em veicular. Com alto astral e entrosamento, as duas, assim como Hebe, se juntaram para pedir o apoio do telespectador para essa causa tão nobre. Disputa pela audiência? Claro que isso existiu. Mas as 2 apresentadoras mostraram de forma indireta que esses números só são interessantes à alta cúpula de suas emissoras. E de ninguém mais além dela.

Outro fato que merece atenção foi a elegância de Silvio Santos em suas 2 aparições. Gentilmente, Silvio agradeceu a todas as emissoras por terem liberado seus artistas. Rede Globo, Band, RedeTV! e Record... Mas.. Record? Nenhum apresentador, jornalista ou funcionário da emissora de Edir Macedo estava presente no "Teleton". Não sei se tiveram medo que alguém fosse e não quisesse mais sair de lá ou se tiveram receio em que seus próprios artistas a vencessem na disputa pelo Ibope - como se ela fosse importante nesse dia ou como se uma possível reviravolta em um único dia com uma atração especial fosse alterar todo o panorama das 2 emissoras. Nem mesmo Gugu Liberato, cuja autorização foi prometida na época em que ele estava para assinar com a Record, apareceu. E mesmo assim Silvio Santos agradeceu. Não criticou, não mandou indiretas, apenas agradeceu. Um gesto nobre.. uma pena que nem todos são assim.

A gestão da Record foi alterada no decorrer dos últimos anos, mas Honorilton Gonçalves sempre esteve presente no comando da rede. Ele já autorizou seus funcionários a participarem do "Teleton". Há alguns anos foi ao ar um "Curtindo Uma Viagem" especial, com artistas do SBT disputando com artistas da Record. Por que não repetiram? Mas como havia falado, essa foi uma baixa, mas que esteve longe de ofuscar o "Teleton". Pena de quem não permitiu que seus funcionários participassem.

Na reta final do "Teleton", como ocorre todos os anos, Silvio Santos foi ao palco para fazer o apelo final e encerrar a atração. O momento mais esperado de todos os anos por seus fãs, que com toda certeza não se decepcionaram. Silvio contou 2 parábolas emocionantes, que com toda certeza fizeram com que seus telespectadores repensassem na vida, no dinheiro, em tudo. Isso, somado a participação de Claudia Leitte, de Victor e Léo, das doações finais e da meta ultrapassada fizeram com que o "Teleton" terminasse em alta, no seu melhor estilo e da melhor forma possível.

Merece também destaque a cobertura feita pelo NaTelinha, considerada por muitos como a melhor da internet. A equipe passou boa parte do sábado (24/10) diretamente do CDT da Anhanguera - sede da emissora em Osasco - informando o leitor de forma quase que instantânea. Vídeos, fotos, entrevistas e matérias exclusivas rechearam o site no sábado (24/10).