22 de ago. de 2008
Fábrica de talentos: uma rápida análise do reality musical "Ídolos"
por João Cláudio LinsA adaptação, no entanto, ficou tão similar ao molde americano que até mesmo os estereótipos dos personagens foram absorvidos. No primeiro programa da temporada 2008 não faltaram caras e bocas.
Para o trio que compõe o júri faltou o principal ingrediente: a complementaridade entre os envolvidos. Luis Calainho, um dos jurados, encarnou por completo o papel do produtor e empresário Simon Cowell. À primeira vista, antipático e bastante artificial.Adaptações de versões estrangeiras no Brasil sempre suscitaram dúvidas: manter-se fiel às originais ou ajustá-las para a realidade local? O "Big Brother Brasil", por exemplo, mostrou-se flexível com o passar dos anos. Apesar da rigidez das regras impostas no início do jogo, a edição foi se moldando de acordo com a preferência popular, tal qual um enredo de novela: uma obra aberta e passível à intervenção de pesquisas de aceitação pública.
Outros formatos, entretanto, mantiveram-se rígidos, com pouca ou nenhuma adaptação, como o game "Topa ou Não Topa", atualmente reexibido pelo SBT nas sextas-feiras.
Durante sua estada na emissora de Silvio Santos, nas temporadas 2006 e 2007, o programa "Ídolos" sofreu algumas intervenções. Apesar do formato ter sido mantido, a caractarização das figuras envolvidas mostrou-se espontânea e coesa.
Em pouco tempo, Saccomani, Miranda, Cyz e Thomas tornaram-se o principal ingrediente do reality show. Nas etapas de audição, alguns jurados fizeram papel de carrasco e outros de mocinho. Com o andar do programa, no entanto, cada um assumiu a sua personalidade.
Desentusiamada com a performance do formato no SBT, a FremantleMedia abriu negociações com a Record. Na Anhangüera, a decisão gerou surpresas e polêmicas. Após a perda oficial do "Ídolos" para concorrência, Silvio Santos arregaçou as mangas e ordenou, a toque de caixa, a produção de um programa similar, com apelo mais popular e ares de "Show de Calouros".
O resultado mostrou-se interessante. Exibido na linha do "SBT Show", o reality "Astros" assumiu uma identidade popular – por vezes grotesca e bizarra – e vem alcançando bons índices de audiência, entre 08 e 09 pontos na Grande São Paulo.
Para a temporada de 2008, a Rede Record investiu US$ 12 milhões (cerca de R$ 19,6 milhões) no programa "Ídolos". Uma grande aposta, sem dúvida. Com uma estética alinhada ao modelo internacional e um belo trabalho gráfico, as edições estão ágeis e bem estruturadas.
Rodrigo Faro, o apresentador, está bastante à vontade em cena. Sua afinidade com a interpretação e com a música lhe rendeu excelentes oportunidades de interação com os candidatos.
Os jurados, por sua vez, dificilmente escaparão das comparações com o quarteto do SBT. À primeira vista pareceu que o trio não está alinhado. Ainda soa artificial. Os tradicionais "esculachos", por vezes deixam de ser engraçados e tornam-se agressivos. Essa inadequação pode desagradar os telespectadores e colocar em risco o sucesso do programa.
A grande estréia do "Ídolos" na Record teve uma audiência ainda tímida, 11 pontos, ocupando a vice-liderança absoluta, contra 18 da Globo e 09 do SBT. Ainda é cedo para tecer qualquer previsão.
O que ficou constatado, entretanto, é que este formato, aqui no Brasil, obtém seus melhores índices na etapa de audições. A partir daí a audiência começa a dispersar. Pelo menos foi o que aconteceu no SBT.
O Brasil tem algumas particularidades difíceis de explicar: "Big Brother's" viram celebridades em poucos dias (e tornam-se anônimos tão rapidamente quanto), mulheres frutas viram pautas nos programas de variedades e as músicas populares em destaque chafuram do baixo para o baixíssimo nível.
Até agora, escassos foram os casos de cantores revelados em reality's show que ganharam expressão nacional. Situação lamentável. Para nossos ouvidos, Crééééú.







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