18 de mai. de 2008

Mutantes, aprendizes e monólogos em "Duas Caras". E o sentido?

por Bruno Motta

Parece que a noção de sentido vem gradativamente sumindo da produção de TV no Brasil. Primeiro é aquela novela carinhosamente chamada de "a dos mutantes" que não tem lógica nem em sua estrutura nem em seus diálogos - o mais engraçado é que ela consegue se superar, sempre. Essa coluna foi criada com o objetivo sempre de mostrar o melhor lado da crítica, o lado bom da resenha de televisão. No caso de "Caminhos do Coração" o único lado bom é o riso que ela proporciona. O Tiago Santiago é mesmo um gênio, ele só pode fazer aquilo de brincadeira, só pode. Minha função primária no terreno da comunicação é a de redator, e já passei por fechamento de jornal, editoria, redação de TV, redação de humor, roteiro. Aquilo é uma pegadinha, o autor é louco ou está fazendo de propósito. É como diz sempre o Chico Anysio, geralmente a atração campeã de audiência de uma emissora é um programa de humor. Truco.

Mas tem coisa estranha na Globo também. O que deu no Aguinaldo Silva pra escrever tanto monólogo? Ele tem uns 80 personagens e mesmo assim tem sempre um em cena falando sozinho. O Aguinaldo Silva é bom de serviço, gente, o que houve? Manda internar todo mundo, inclusive ele. Fica parecendo que a novela se chama "Duas Caras" porque todo mundo é esquizofrênico e conversa consigo mesmo. Pelo menos o elenco tem um texto decente pra falar pra si mesmo. Tem novela que nem isso tem.

Tropa de Elite
De passagem, queria saber o sentido real de colocar os candidatos de "Aprendiz 5 - O Sócio" rolando na lama essa semana. Que executivo é esse que precisa aprender a se dependurar em precipícios? Ficou parecendo tudo meio na cola do filme de sucesso.

E na Globo
"Toma Lá Dá Cá" já era simpático, e em sua segunda temporada tem melhorado ainda mais. Mas essa semana pisaram na bola. O microfone do Falabella apareceu em cena (quando levado ao ar por Victor Fasano), além de misturarem as bolas e inserirem a platéia na trama. Ficou meio Sai de Baixo, comparação que ninguém ali quer, e de quebra, revelaram um segredo de produção: a platéia ouve os diálogos através de fones de ouvido. Um segundo olho no episódio poderia ter cortado, com edição, as duas coisas.

Bruno Motta é humorista e acha "Tomá Lá Dá Cá" mara, mas só revela isso sozinho, num monólogo interior.

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