24 de abr. de 2008
O que é mara na TV
por Tatiana Bruzzi
Recebi um ultimato de meu editor recentemente: você vai segmentar sua coluna para seriados de TV ou não? Respondi na hora que não. Afinal, embora ache um universo bem bacana, receio entediar meus leitores ou me tornar repetitiva. Além disso, correria o risco de sofrer com a falta de assunto. Não é toda semana que organizam greves de roteiristas (graças a Deus) ou reprisam episódios, mudam a grade...Ainda segundo as exigências de meu chefe, essa semana deveria falar sobre algum programa ou assunto relacionado à TV aberta. Eu, particularmente, não sou apenas alguém que passa a maior parte de seu tempo assistindo TV. Pelo contrário, procuro sim dividir minha rotina entre programação predileta, trabalho, leitura e lazer. Conseqüentemente, entre um texto e outro, acabo caindo em algo também direcionado à programação televisiva.
Nas duas últimas semanas, o que mais me chamou a atenção foi às inúmeras notas negativas sobre Caminhos do Coração, da Record. O número de reclamações só não é maior que os de mutantes existentes na novela. Entre as mais comentadas, estão a de que prometeram alta tecnologia na gravação e usam artifícios primários. E mais, o excesso de mutantes dentuços e suas dicções horrorosas, que contam ainda com a participação especial de perdigotos em cena. Argh!!!
Já sei, estou enrolando e ainda não disse a que vim. Calma! A paciência é uma virtude e o segredo, a alma do negócio. Vamos lá...
Eu não sou muita adepta ao humor, a menos que ele seja inteligente, sagaz e um tanto sarcástico. Foram poucos os programas humorísticos que me conquistaram, tendo destaque o TV Pirata, Casseta e Planeta (há poucos anos e mesmo assim, nem todos os quadros), Os Normais , Sexo Frágil e Sai de Baixo, entre poucos. Esse último com mérito para Miguel Falabella, que eu adoro. Tietagens à parte, nada mais natural que eu curtisse Toma lá dá Cá. E pelo visto, não sou a única. O programa tem se destacado desde sua estréia e conquistando adeptos como eu.
Esse ano, quando não se pensava em mais novidades, eis que “Miguelito” resolve dar asas à imaginação do telespectador e vida a Ladir, o marido de Dona Álvara. E, quando a gente pensa que já viu de tudo, aparece Ítalo Rossi encarnando o papel de um “gay enrustido”. Quer dizer, nem tanto. Só para a síndica do prédio.
Uma das características de Ladir, além de (segundo ele) o excesso de testosterona, é o uso de um bordão que já caiu na graça do público. Para ele tudo é “Mara” – uma alusão a definição de maravilhoso. "Isadora mau-caráter, é mara". "Copélia e seus amantes, é mara". "A galera do porco fumado, é mara"...
Sendo assim, e para mostrar ao meu editor que estou fazendo o trabalho-de-casa direitinho, peguei carona no bordão de seu Ladir e vou citar o que para mim, atualmente, é mara:
- Ítalo Rossi no papel de seu Ladir, é mara.
- A dupla Márcio Gomes e Renata Capucci à frente do RJTV, é mara.
- A mudança de comportamento do Marconi Ferraço, em Duas Caras, é mara.
- Dalton Vigh mais uma vez no papel de um vilão sedutor, é mara.
- A ousadia do autor Aguinaldo Silva em juntar a mocinha com o vilão, ao final da novela, é mara.
- A Rakelli de Isis Valverde, na novela Beleza Pura, é mara.
- Toda a novela Desejo Proibido, é mara.
- House, Gilmore Girls, Friends, Grey’s Anatomy, Desperate Housewives e Pushing Daisies, são mara.
Lado B:
- Mutantes perdigotos, não são mara.
- Filmagens trash envolvendo mutantes dentuços, não são mara.
- Transformar Caminhos do Coração em seriado, não é mara.
- As brincadeiras do Pânico na TV, não são mara.
- Violência sem propósito na novela Duas Caras, não são mara.
- Usar o caso Isabella para alcançar Ibope na TV, não é mara.
- Anunciar um episódio e passar outro, pular episódios de séries, trocar horários ou mudar a grade de programação sem avisar aos telespectadores, não é mara.







1 comentários:
esse post é Mara.
29 de maio de 2008 às 12:56Postar um comentário